Princípio 7: Busque sempre o consenso integral das Escrituras.

de Tremper Longman III

Nunca devemos ler passagens isoladas de todo o contexto das Escrituras. Apesar de muitos autores humanos terem contribuído para escrever a Bíblia, Deus é o seu Autor último. E, ao mesmo tempo em que a Bíblia é uma antologia de muitos livros, ela também é um só livro. A Bíblia contém muitas histórias, mas todas elas contribuem para uma única história. Conseqüentemente, devemos ler uma passagem, ou até mesmo um livro da Bíblia, no contexto do corpo do ensino e doutrina que flui da história completa da revelação progressiva na Palavra de Deus.

Este princípio tem implicações muito importantes. Primeiro, não devemos basear a doutrina ou ensinos morais num texto obscuro. As idéias mais importantes da Bíblia são declaradas mais de uma vez. Quando um texto aparece com o objetivo de ensinar algo obscuro ou questionável e não encontramos outras passagens que o apóiem, não devemos agregar muito peso a ele.

Segundo, se uma passagem "parece" ensinar algo, porém outro texto claramente ensina alguma outra coisa mais, devemos procurar compreender essa passagem difícil à luz daquela que seja mais fácil de compreender. Isto é, podemos determinar o significado de um verso obscuro examinando o ensino claro de toda a Escritura.

Você se lembra do pregador de uma rádio popular com quem discuti sobre a volta de Cristo? A discussão nunca teria acontecido se ele e seus patrocinadores tivessem aplicado simplesmente o princípio da busca do consenso integral das Escrituras. Perceba que eles produziram todo tipo de argumentação matemática enrolada baseados em porções obscuras das Escrituras, que os levaram a crer que Cristo retornaria em 1994. O ensino claro das Escrituras refuta a abordagem desse pregador. Observe Marcos 13.32: "Mas a respeito daquele dia mi da hora ninguém sabe...". Só a leitura desse verso deveria acabar com qualquer tipo de manipulação de um texto, a qual conduz a uma conclusão errônea.

Para compreender a consenso das Escrituras, temos que estudar os temas e analogias que vão de Gênesis a Apocalipse. E, assim, quando lemos qualquer texto bíblico, entenderemos seu lugar no desenrolar da história da salvação. Este princípio é particularmente importante quando lemos o Antigo Testamento. Jesus disse que todo o Antigo Testamento, não apenas as profecias messiânicas, antecipou a volta do Messias (veja Lc 24.25-27,44).

Neste aspecto, observe o texto de Mateus 4.1-11, que descreve a tentação de Jesus no deserto. Se mantivermos o todo da Escritura em mente enquanto a lemos, esta referência pode nos lembrar os quarenta anos da longa viagem dos israelitas no deserto. Entretanto, a comparação vai além do número quarenta. Os israelitas também foram tentados no deserto nas mesmas áreas que Jesus: fome e sede, testar Deus e adorar falsos deuses. Jesus mostrou que era um filho de Deus obediente, onde os israelitas mostraram-se desobedientes. Na verdade, Jesus respondeu às tentações citando Deuteronômio – o sermão que Moisés deu aos israelitas ao final da sua longa viagem de quarenta anos.

Ler as Escrituras à luz de toda a mensagem bíblica, o completo consenso divino, não apenas nos previne de interpretações errôneas como também nos proporciona um entendimento mais profundo da Palavra de Deus.

[Nas próximas semanas, Deus permitindo, iremos reproduzir nesta seção outros princípios básicos de hermenêutica do livro “Lendo a Bíblia com O Coração e a Mente” de Tremper Longman III.]

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O livro de Tremper Longman III do qual este texto foi extraído, "
Lendo a Bíblia com O Coração e a Mente", pode ser encomendado da Editora Cultura Cristã selecionando a capa do livro ao lado:  


17/01/2007