Princípio 1: Procure a intenção do significado do autor

de Tremper Longman III

Toda passagem bíblica tem um significado objetivo pretendido pelo autor. A tarefa do intérprete é descobrir esse significado. Esse princípio parece claro o bastante, entretanto devemos desenvolver muitas questões que ele levanta..

Primeira, quem é o autor e como descobrir sua intenção. Mesmo quando sabemos o nome do autor humano (Moisés, Paulo, Davi), não temos acesso direto a ele. Não podemos perguntar a Paulo se ele se referiu aos cristãos ou aos não-cristãos quando descreveu uma pessoa que não quer fazer o que Deus deseja em Romanos 7.21-25. Podemos apenas responder tais questões nos colocando no período em que o autor escreveu o livro e questionando a sua intenção, ao nos dizer esse ou aquele assunto.

Uma segunda questão tem a ver com o caráter único da Bíblia como Palavra de Deus. Como 2 Pedro 1.21 afirma: "porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo." Deus é o autor último da Bíblia e, dependendo da maneira que entendemos esta verdade, haverá implicações. Observemos um exemplo de Oséias 11.1: Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho.

Quem é o autor dessa passagem? De acordo com o primeiro verso de Oséias, é o profeta que tem esse nome. Entretanto, como podemos saber quais foram as intenções de suas palavras nesta passagem? Primeiro, conhecemos aproximadamente a época em que ele viveu. Também há um contexto mais amplo do livro todo, que nos dá uma idéia completa do que Oséias queria dizer neste verso. Quando estudamos este texto no contexto do livro todo, descobrimos que Oséias está se referindo ao êxodo descrito no livro do Êxodo.

Mais adiante, podemos ler Mateus 2 e chegar ao verso 15. Lá, o escritor aplica Oséias 11.1 a Jesus como um menino retornando do Egito à Judéia. Essa referência não parece ser a intenção de Oséias. Porém, aqui devemos nos lembrar que o significado do texto reside na intenção de Deus, seu autor último. À medida que lemos essa passagem levando em consideração todo o contexto bíblico, percebemos que Deus fez uma analogia. Profeticamente, ele está relacionando Israel (os filhos de Deus sendo libertos do Egito) com Jesus (o Filho de Deus, que vem do Egito). Este é um modelo que percorre todo evangelho de Mateus.

Perceba que este princípio reconhece que existe um significado no texto. Esse é um ponto importante na nossa era de relativismo. Um grande número de intérpretes estudiosos da Bíblia, na sua maioria professores de universidades, sugerem que a Bíblia não estabeleceu nenhum significado e que podemos ler nela o que desejarmos. Pelo contrário, quando interpretamos a Bíblia, buscamos aquilo que o autor quis dizer originalmente, ao invés de impor o nosso significado. Quando a interpretação do leitor entra em conflito com a intenção do autor, a interpretação do leitor é errônea.

[Nas próximas semanas, Deus permitindo, iremos reproduzir nesta seção sete princípios básicos de hermenêutica do livro “Lendo a Bíblia com O Coração e a Mente” de Tremper Longman III.]

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O livro de Tremper Longman III do qual este texto foi extraído, "
Lendo a Bíblia com O Coração e a Mente", pode ser encomendado da Editora Cultura Cristã selecionando a capa do livro ao lado:  


15/08/2005